Amarrações de caiaques em racks de carro - parte 2

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Mais acidentes ocorreram, desde a época que fui motivado a escrever o artigo “Amarrações de caiaques em racks - parte 1” ( http://www.pesca-esportiva-old-school.com.br/2015/07/amarracoes-de-caiaques-em-racks.html) e alguns desses acidentes me fizeram refletir e enxergar um pouco mais sobre os melhores procedimentos a serem seguidos. Neste artigo vamos abordar algumas formas de amarrar o caiaques ao rack e também a confecção de um berço para facilitar a colocação de caiaque pesado sobre o rack por uma única pessoa e uma sugestão de uso desse berço.

Vale iniciar este artigo citando que a Resolução CONTRAN 349 de 17/05/2020 DOU de 20/05/2010, com alteração na Resolução 589/16, dispõe sobre o transporte eventual de cargas ou de bicicletas nos veículos classificados nas espécies automóvel, caminhonete, camioneta e utilitário e cita, entre outros que "Devem ser utilizados dispositivos de amarração, como cintas têxteis, correntes ou cabos de aço, com resistência total à ruptura por tração de, no mínimo, 2 (duas) vezes o peso da carga" , e "os dispositivos de amarração devem estar em bom estado e serem dotados de mecanismo de tensionamento, quando aplicável, que possa ser verificado e reapertado manual ou automaticamente durante o trajeto." e "Fica proibida a utilização de cordas como dispositivo de amarração de carga, sendo permitido o seu uso exclusivamente para fixação da lona de cobertura, quando exigível."

Já vale citar aqui que caiaques de polietileno podem sofrer deformações, se submetidos a amarração com tencionamento exagerado. 

Outro tema que vale ser abordado, logo de início, é pré-disposição que os caiaques têm para admitir as cores mais escuras, quando em contato com materiais de cor diferente do polietileno que com o qual são fabricados. 

Muitos dos modelos de rack destinados ao uso sobre o teto dos veículos contam  hastes cobertas com borracha da cor preta e o risco dessa cor mais escura ser transferida para o caiaque é grande. Assim sendo, o ideal é cobrir o topo das hastes do rack com um material que evite o contato direto do polietileno com a borracha.

Há várias alternativas, para evitar o contato, uma que pode ser posta em uso é a criação de uma proteção com um "espaguete de piscina" (flutuador cilíndrico feito de espuma de polietileno), do tipo vazado (oco). Bastará uma tesoura simples ou um estilete (e o devido requerendo cuidado com as mãos durante o manuseio), para cortar o espaguete e fazer as duas meias-canas necessárias.

Com algumas abraçadeiras de plástico, do tipo fita hellerman (com qualquer tensão mínima de ruptura) e com comprimento que gere um diâmetro de amarração suficiente, as meias-canas e mantê-las fixas poderão ser mantidas fixas, compondo a proteção.
1 – Amarração básica ajustada

Nas mais básicas das amarrações, um caiaque deverá ser preso ao rack (que por sua vez deverá ter cada uma de suas hastes presa a um dos para-choques do veículo) por uma tira (corda, fita, cinta etc) que parta de uma extremidade de uma das hastes do rack, passe por cima do caiaque, desça e passe por baixo da extremidade oposta da haste, suba e volte por cima do caiaque, para finalizar a amarração na extremidade da haste da qual partiu. Na outra haste, o processo deverá ser repetido. Vale frisar que o ideal será que as amarrações básicas sejam iniciadas e finalizadas nas extremidades das hastes que ficam do lado oposto ao do motorista do veículo, para que, em caso de ser necessário conferir ou ajustar durante o trajeto, a pessoa incumbida da tarefa não precise ficar com o corpo voltado para a pista de rolagem. Nas amarrações por sistema,isso não será possível. As imagens a seguir mostram a sequência de uma amarração básica.
Amarração das  hastes do rack ao carro

Amarração básica ajustada do caiaque no rack I

Amarração básica ajustada do caiaque no rack II

Amarração básica ajustada do caiaque no rack III

Amarração básica ajustada do caiaque no rack IV

Amarração básica ajustada do caiaque no rack V
 Amarração básica ajustada do caiaque no rack VI


Amarração básica ajustada do caiaque no rack VI


2 - As chamadas “amarrações de segurança”.

Em parte desses acidentes, a tal amarração “de segurança” (amarração de cada extremidade do caiaque a um dos para-choques do veículo), como muitos caiaqueiros chamam e utilizam, para prevenção do deslocamento do caiaque, para frente ou para trás do veículo, no caso de ocorrer uma colisão frontal ou um abalroamento na traseira, não tem se mostrado assim tão funcional.

Quando um veículo transportando caiaque(s) num rack sobre o teto se envolve ou é envolvido em um acidente de trânsito, tendo a velocidade abruptamente reduzida (num impacto frontal), ou acelerada (num impacto na traseira), o rack tende a se deslocar do teto (independentemente de ser um rack de acoplamento convencional ou de ventosa), mais até do que o caiaque tende a se soltar do rack, se bem amarrado estiver.

É comum vermos veículos com caiaque sobre o teto, com amarração na proa e na popa, mas com pouca efetividade na contenção de deslocamento, porque é a carga (no caso o caiaque) que estará amarrado aos para-choques do veículo e não as hastes do rack. Se o rack, com carga, tende a se se deslocar nos acidentes de trânsito, o ideal é que a tal amarração de segurança seja realizada nas hastes do rack e não no caiaque.

Amarrações ligando as extremidades de um caiaque ao veículo, não são tão funcionais, quanto as amarrações que ligam cada haste do rack ao carro.



No entanto, a maioria dos veículos com modelos mais atuais é dotada de componentes plásticos que podem contraindicar a amarração das hastes do rack nos para-choques. Caberá a cada caiaqueiro avaliar bem as condições dos para-choques de seu veículo, para se decidir ou não pela amarração das hastes do rack neles. Caso os para-choques não sejam indicados para amarração, prender um dos dois pontos de fixação da haste traseira do rack a uma tira (quanto menos espessa melhor) que passe por dentro do veículo e vá até o ponto oposto de fixação daquela haste, concluindo uma amarração, será mais seguro do que deixar o rack apenas com sua fixação ao teto, sem amarração alguma.  
Toda amarração que passe por dentro do veículo, deverá ser evitada em dias de chuva, pois levará água para o interior do carro.


2.1 - A “falsa amarração”

Uma amarração ligando a popa de um caiaque ao para-choque traseiro do veículo, buscará conter o caiaque em caso de tendência a deslocamento para frente, o que ocorrerá como consequência de uma colisão frontal, mas essa amarração (no para-choque traseiro) precisa ser analisada com critério, quando se tratar de veículo do tipo hatch, para que não seja realizada a chamada “falsa” amarração. 

A falsa amarração, ocorre quando um caiaque que esteja sobre um rack de um veículo, do tipo hatch, tem a extremidade amarrada no para-choque traseiro, já que a extremidade da carga ficará além do para-choque. 


Caso o caiaque tenda a se deslocar para frente do veículo, até que essa amarração entre em ação, já será tarde.

O ideal, quando analisando o que poderá ocorrer em caso de um veículo que esteja com um caiaque sobre o teto vir a se envolver (ou a ser envolvido) e um acidente de trânsito, é sermos precavidos ao extremo. Será melhor termos sobra de segurança (quando a viagem vier a transcorrer de forma normal) do que falta de segurança, caso um acidente venha a ocorrer com um veículo que esteja transportando um caiaque num rack.

Portanto, não deveremos poupar os atos seguros. Mais valerá amarrar devidamente o caiaque ao rack e cada haste do rack a um para-choque do veículo, do que fazer amarrações ligando as extremidades do caiaque aos para-choques.
Voltando a lembrar que caberá a cada caiaqueiro avaliar bem as condições dos para-choques de seu veículo, para se decidir ou não pela amarração das hastes do rack neles e que, caso haja impedimento, uma amarração passando por dentro dentro veículo será melhor do que deixar sem.  


3 - Transportando dois ou mais caiaques no rack

ATENÇÃO: este artigo não é um incentivo ao trasporte de caiaque sobre o rack de um veículo em posições ou quantidades além das permitidas. O que você lerá a seguir busca apenas ilustrar formas mais seguras de realizar transportes de maneira não convencional (que é o transporte de um único caiaque sobre o carro), quando isso for inevitável, mas desde que a capacidade de carga do rack e do teto do veículo não sejam ultrapassadas e que a leis de trânsito em vigor não sejam infringidas.  

Dois ou mais caiaques poderão ser transportados no teto do mesmo veículo, de forma segura, de algumas maneiras básicas.

3.1 - Transportando dois caiaques lado a lado

Uma delas será posicionando um caiaque ao lado do outro, sem sobreposição, para não exceder os 50 centímetros de altura (a contar do teto do veículo), o que tornaria obrigatória a AET (autorização especial trânsito) e, pelo mesmo motivo, sem exceder a largura máxima do veículo. Essa largura, mesmo não estando assim definida em nenhuma norma - como compreende o maior espaço lateral ocupado pelo veículo - poderá ser considerada indo da extremidade de um retrovisor lateral à extremidade do retrovisor do lado oposto.


Portanto, mesmo que os dois caiaques a serem transportados somem largura maior do que as das hastes do rack, será possível preparar uma bricolagem simples e realizar um transporte legal e seguro, desde que a altura da carga (medindo-se do teto do veículo ao ponto mais alto dos caiaques) não ultrapasse 50 centímetros e que a largura máxima do veículo e a capacidade nominal de carga do rack não sejam ultrapassadas.



Duas peças auxiliares (de madeira, de alumínio, ou de outro metal), com comprimentos que sejam suficientes, para que os dois caiaques fiquem totalmente apoiados nelas, deverão ser sobrepostas as hastes, para dar ao rack a largura necessária.


A peça que será sobreposta à haste do rack, deverá apresentar resistência suficiente, nas partes que não estarão apoiadas nas hastes, para não fletir quando receber o peso dos caiaques. E o ideal será que as peças auxiliares tenham largura igual ou inferior à de cada haste.

Cada peça auxiliar deverá ser sobreposta a uma haste do rack e unida à haste com abraçadeiras de nylon do tipo Insulok em poliamida, com largura de 7,6 mm, tensão mínima de ruptura de 54 kgf e comprimento que gere um diâmetro de amarração suficiente para envolver a peça auxiliar e a haste do rack e ainda gerar aperto. Basicamente, 7 abraçadeiras dessas, uniformemente distribuídas, ao longo de cada conjunto de peça auxiliar sobre haste, serão suficientes.

Dois parafusos transpassando a peça auxiliar e a haste do rack, recebendo porcas nas extremidades inferiores, também poderão ser usados e até dispensarão a utilização das abraçadeiras. Se as abraçadeiras forem utilizadas, periodicamente elas deverão ser vistoriadas e trocadas, ao menor sinal de anormalidade.

Para proteção caiaques, será interessante criar um acabamento, para as peças auxiliares, com o mesmo procedimento sugerido neste artigo para evitar que as cores escuras das hastes dos racks sejam transferidas para os caiaques. 


Amarração de dois caiaques que estejam lado a lado, não necessitará ser realizada por sistema, apenas de forma básica ajustada.

Bastará posicionar o primeiro caiaque emborcado sobre o rack, ocupando apenas uma das metades de cada haste, e justar a amarração. A amarração de cada extremidade do caiaque em cada haste do rack, deverá ser iniciada na extremidade de uma das hastes, passar sobre o caiaque, descer, passando por baixo da extremidade oposta da mesma haste e retornar novamente sobre o caiaque, para ser finalizada na mesma extremidade da haste onde tenha começado. 



O segundo caiaque deverá ser posicionado na mesma forma que o primeiro (emborcado) e receber amarração que será iniciada e concluída no lado oposto das hastes.



3.2 - Transportando um caiaque sobre outro

Embora o ideal seja que a altura da carga transportada por um veículo sobre um rack não ultrapasse 50 cm (a contar do teto do veículo e não do rack), quando for inevitável transportar assim, alguns cuidados a mais deverão ser tomados. O primeiro deles será não exceder a capacidade nominal de carga, o segundo requerer a AET (autorização especial trânsito) e o terceiro realizar as amarrações por sistema.

Muitos modelos de rack acabam suportando um peso maior do que o fabricante divulga, mas o comportamento de cada haste do rack deverá analisado desde o momento em que o apoio dos caiaques sobre o rack estiver ocorrendo até a finalização da amarração, quando nenhuma das hastes deverá apresentar deformação (empeno, amassamento). Caso o rack apresente alguma deformação, será sinal de que o peso dos caiaques estará acima do suportado e que com o passar do tempo o empeno poderá aumentar até tocar no teto e prejudicar aquela parte do veículo.

Vale também observar que o transporte de um caiaque sobre outro poderá gerar danos aos dois cascos. Portanto, quando não houver outra opção, procure acolchoar os pontos nos quais os caiaques estarão em contato um com outro e não exagerar no tensionamento das amarrações.

Por falar em AET, vale a pena citar os limites, para não ser necessário requerê-la e como fazer, caso seja necessário ultrapassar esses limites e requerer a autorização especial de trânsito:

O caiaque não deverá ultrapassar o para-choque dianteiro do veículo, mas se for inevitável exceder (em 1 metro no máximo), será necessário solicitar uma AET - Autorização Especial de Transito. No final deste artigo estão as instruções para solicitação da AET.
A carga (o que estiver sobre o teto) não poderá ultrapassar a largura do veículo e nem ficar a uma altura superior a 50 centímetros, contando do teto do seu veículo e não do rack. Se for inevitável ultrapassar os 50 centímetros de altura e tal excesso tiver - contando do piso (chão) à parte mais alta do caiaque - até 4,4 metros, será necessária também a solicitação de uma AET.
Caso o caiaque ultrapasse o para-choque traseiro, não poderá exceder por uma distância superior a 60% da distância entre os eixos, a contar do eixo traseiro. Toda carga que ultrapasse o para-choque traseiro deverá ficar bem visível e sinalizada. Durante a noite, a sinalização deverá ser composta por uma luz vermelha e um dispositivo refletor da mesma cor. Durante o dia, poderá ser uma bandeirola de cor vermelha... A sinalização para uso noturno poderá ser facilmente providenciada com a fixação de uma dessas pequenas lanternas de lente vermelha, e alimentadas por pequenas baterias, destinadas às bicicletas.
Vale também citar que a permissão para transporte de cargas sobre tetos de carros indica que o veículo deve contar com bagageiro ou "suportes apropriados devidamente afixados na parte superior externa da carroçaria". 
Se for necessário emitir uma AET.
  • Acesse: http://www.dnit.gov.br/…/siste…/autoriz.-espec.-transito-aet
  • Em seguida clique em: “TRANSPORTADORES E ENGENHEIROS - Clique aqui para emitir/autorizar a emissão da sua Autorização Especial de Trânsito - AET”.
  • Na página que abrirá, você deverá inserir o código de verificação, e – se já for cadastrado - no campo “Acesso ao TRANSPORTADOR”, inserir seu “Código de acesso” e “senha”. Caso você não seja cadastrado, clique em https://siaet.dnit.gov.br/manutencao/manTransportador.asp… . Após o cadastro, o sistema do DNIT enviará para o seu e-mail uma mensagem de confirmação. Para ativar o cadastro, siga as instruções recebidas na mensagem do e-mail.
  • Prosseguindo, clique em “Resolução nº 349 CONTRAN” e preencha o formulário que é simples e autoexplicativo.
  • Selecione o tipo de carga (clique em “Caiaque”).
  • Informe a largura da carga.
  • Informe o comprimento.
  • Informe a altura da carga.
  • Informe o percurso da viagem (origem e destino). Cite um destino que abranja várias cidades pelas quais você poderá transitar ao longo de ano, para não precisar requere uma segunda AET.
  • Informe os dados do seu carro.
  • Clique em “Enviar”.
O sistema vai gerar o número da AET e um boleto para pagamento no Banco do Brasil.
Após a realização do pagamento, aguarde 24 horas, para que o sistema identifique, faça novamente login, informando o número da AET, e clique em “Emitir Autorização Especial de Trânsito / Autorização Específica”.

A AET terá validade de um ano e deverá ser portada pelo motorista.

3.3 - Amarrações para um caiaque sobre outro - Aqui vale ressaltar que o transporte de um caiaque sobre outro é uma das maiores causas de rachaduras nos cascos
Os tensionamentos nas tiras de amarração não deverão ir além do necessário e o ideal é que sejam colocados entre os caiaques materiais que suavizem os contatos, como espuma ou papelão.


3.3.1 Amarração básica ajustada

Num trajeto normal, dois caiaques transportados um sobre o outro, com amarração simples, bem ajustada, terão grandes chances de chegarem intactos no destino. Após se certificar de que as hastes do rack suportaram bem os dois caiaques, as amarrações poderão ocorrer. 

Os dois caiaques poderão ser amarrados juntos, com uma única cinta em cada extremidade, num total de duas cintas amarrando todo o conjunto de dois caiaques.


No entanto, tendo em vista a altura da carga, já que um caiaque estará sobre o outro, será muito mais seguro que cada caiaque seja amarrado de forma independente. Primeiro o que servirá de apoio para o outro e posteriormente o que ocupará a segunda altura.

Qual caiaque ficará sobre o outro e em que posição cada uma ficará, dependerá dos modelos de caiaque a serem transportados e deverá ser definido não só pelo melhor encaixe entre os caiaques, mas também pelo melhor encaixe entre o caiaque de apoio e o rack. Nem sempre, o com maior largura gerará melhor encaixe, se for colocado embaixo do mais estreito, ou o de menor comprimento ficará mais seguro em cima do mais comprido... Muitas configurações serão possíveis, mas o ideal será buscar pela que mais segurança gere ao transporte.


Posição deck com fundo (os dois caiaques emborcados)
Posição fundo com deck (os dois caiaques na posição de navegação).
Posição fundo com deck (o caiaque de apoio emborcado e o da segunda altura na posição de navegação).
Posição deck com deck (o caiaque de apoio em posição de navegação e o da segunda altura emborcado). 
No entanto, com amarrações básicas, caso o veículo venha a ser envolvido em um acidente de trânsito (colisão frontal, lateral ou abalroamento na traseira), muito provavelmente, além dos danos no veículo, ocorrerão danos também nos caiaques, além dos danos que os caiaques poderão causar a outros veículos. Agindo com prevenção e reforçando a amarração, utilizando amarrações por sistema, os danos que os caiaques sofrerão e causarão num acidente serão certamente minimizados ou nem ocorrerão. 


3.3.2 Amarração por sistema

A amarração por sistema faz com que cada extremidade da carga contida por ela receba dois envolvimentos, duas tiras, uma para impedir o deslocamento da carga para um lado do veículo e a outra para impedir que a carga se desloque para o outro lado. Nessa amarração é os sistema composto por tiras que são tensionadas em sentido contrário envolvendo o mesmo ponto da carga que impede os deslocamentos laterais, tornando o transporte de cargas sobrepostas mais seguro. As amarrações por sistema devem ser tencionadas de forma intercalada. Caso uma das tiras seja tensionada sem a intercalação com o tensionamento da que estará do lado oposto, a carga (nesse caso os caiaques) tenderá a ser desviada da linha central do teto do veículo.


Tomando-se por base a ilustração abaixo, o tensionamento de cinta de amarração (tanto na ilustrada na cor verde, quanto na ilustrada na cor laranja) deverá ocorrer paulatinamente e intercalado um com o outro. De tal forma, quando as duas amarrações que envolverão uma das extremidades dos caiaques estiverem com a tensão desejada, naquele ponto do teto do veículo os caiaques estarão mantidos na linha central. 

Ilustrações com visão aérea mostrando a amarração por sistema das extremidades do caiaque voltadas para a frente do veículo.



O mesmo alinhamento correto ocorrerá com o tensionamento em procedimento igual for realizado para tensionar as duas amarrações que envolverão a outra extremidade dos caiaques.

Ilustrações com visão aérea mostrando a amarração por sistema das extremidades do caiaque voltadas para a parte traseira do veículo.



Visão frontal das etapas da mesma amarração por sistema demonstrada nas 4 ilustrações anteriores.















Visão lateral da mesma amarração por sistema demonstrada nas ilustrações anteriores, mostrando as cintas que iniciaram e terminaram a amarração do lado esquerdo do veículo.
Visão lateral da mesma amarração por sistema demonstrada nas ilustrações anteriores, mostrando as tiras que iniciaram e terminaram a amarração do lado direito do veículo.

Em casos da haver necessidade - e condições de resistência do rack e porte de AET - de transportar três caiaques em três alturas, a amarração por sistema também será a mais indicada. Vale voltar a frisar que em caso de um acidente com o veículo, as amarrações convencionais (que funcionam bem quando nada de anormal com veículo ocorre) não serão suficientes. 

Visão frontal de um trasporte de três caiaques em terceira altura.


Visão lateral da mesma amarração por sistema demonstrada nas ilustrações anteriores, mostrando as cintas que iniciaram e terminaram a amarração do lado esquerdo do veículo.

Visão lateral da mesma amarração por sistema demonstrada nas ilustrações anteriores, mostrando as cintas que iniciaram e terminaram a amarração do lado direito do veículo.


Três caiaques também poderão ser transportados sobre outros dois que estejam lado a lado e, nesse caso, somente o que ficará na segunda altura precisará de amarração por sistema.

Não vale a pena ganhar tempo e perder segurança. A amarração por sistema é um pouco mais complexa para ser realizada e requer mais tiras, o que poderá fazer com que se torne mais morosa e com maior custo. No entanto, não serão alguns poucos minutos a mais e/ou a compra de mais duas cintas com catraca que farão diferença negativa, se comparados ao aumento da segurança que tal amarração proporciona. 

4 - Berço falicitador de carregamento - como confeccionar e usar

O acoplamento de um berço horizontal sobre as hastes do rack, facilita muito a colocação de um caiaque pesado sobre o teto de um veículo (principalmente os do tipo hatch), por uma única pessoa, sendo a forma mais indicada para quem deseja transportar, em posição de uso e não emborcado, como é mais habitual, um caiaque que não tenha fundo plano. No entanto, é preciso utilizar procedimentos (poderão ser vários) que impeçam que a popa arraste no piso e sofra desgastes desnecessários.

Esse berço horizontal é o mais prático (e com a melhor relação custo x benefício) facilitador de carregamento de caiaque em rack que eu conheço e foi desenvolvido pelos gloriosos Sandro Levi, Cícero Júnior e Emanoel Lessa Garcia, caiaqueiros de Fortaleza.




Tal berço é composto por dois tubos de alumínio (dos utilizados para confecção de corrimão, para uso em escadas de alvenaria), medindo 2 polegadas de diâmetro, com parede de 1,2mm. 


De modo geral, 2 metros de comprimento em cada tubo será o suficiente, variando apenas as distâncias A e B. 

A medida A deverá ser suficiente para evitar que o caiaque toque o teto, ao ser carregador pela traseira do veículo e a medida B deverá ser suficiente, para acomodar o caiaque sem que ele fique em balanço no sentido proa x popa e vice-versa.


Os dois tubos deverão ser aparafusados nas hastes do rack em paralelo e de forma equidistante. A distância entre eles deverá ser exatamente a mesma que houver entre os relevos do fundo do caiaque, conforme demostrado na ilustração abaixo como “L1” e “L2”. 


Caso seja para transporte de um caiaque de fundo plano, bastará que a distância entre os tudo seja uns 50 mm menor do que a menor largura do casco, embora para esse tipo de caiaque, o uso do berço só fará sentido por facilitar a colocação sobre o carro, isso se tratando de um casco com peso considerável.

Os parafusos deverão ter comprimento suficiente para atravessarem o tubo, a haste do rack e ainda sobrar rosca para aperto com uma porca, e não deverão ficar salientes, para que não venham a danificar o fundo do caiaque que deslizará por aqueles pontos. 


Para acomodação de caiaques de fundo com recortes (não plano), com a linha central pronunciada, o ideal não será apoiar cada tubo diretamente nas hastes do rack, mas sim em um pedaço do próprio tubo. Cada pedaço vertical desses terá uma extremidade apoiada na haste do rack e na outra receberá uma “Coneção fixa para tubos em T”. 

Dessa forma, cada haste do rack receberá dois pequenos tubos verticais. O comprimento desse tubo deverá ser o suficiente apenas para impedir que a linha central do caiaque toque nas hastes impedindo uma acomodação perfeita.

Uma extremidade de cada pequeno tubo que ficará na vertical ficará apoiada na haste do rack e a extremidade oposta receberá uma Coneção fixa para tubos em T (conexão na medida que permita encaixe no tubo)e sobre essa conexão será apoiado o tubo que ficará na vertical.

Nesse caso, os parafusos deverão ter comprimento suficiente para atravessarem o tubo horizontal, a haste do rack, a conexão, o tubo vertical e ainda sobrar rosca para aperto com uma porca, e não deverão ficar salientes, para que não venham a danificar o fundo do caiaque que deslizará por aqueles pontos. 


Os tubos horizontais deverão receber, no "dorso" o revestimento, por colagem, de algum material que impeça o contato direto com o caiaque, para evitar abrasão no casco. Poderão ser coladas no tubo tiras de carpete ou de outro material que se preste para esse fim. Nas extremidades de cada tubo horizontal, deverá ser encaixada uma peça plástica em formato de meia esfera, para acabamento.



A amarração de um caiaque que tenha a linha central pronunciada, na posição de uso, em um berço, dispensará a utilização de amarração por sistema, bastando a amarração básica ajustada.


Visão frontal da amarração finalizada.
Visão lateral da amarração finalizada.
O transporte de um caiaque cujo fundo não seja plano, poderá ser realizado com casco em posição de uso, sem o berço, mas como não haverá uma acomodação perfeita, o ideal será fazer a amarração por sistema.




As ilustrações a seguir facilitarão a visualização de como um caiaqueiro, sozinho, poderá posicionar um caiaque sobre o carro, para transporte, usando o berço.

Várias podem ser as formas de realizar esse procedimento, mas a que será demostrada a seguir pode ser dividida em passos muito simples de serem seguidos e facilmente memorizados, após a primeira execução.

a) Posicione seu veículo no local onde o caiaque será colocado no rack.


b) Providencie uma cinta (ou corda com resistência, mínima, para 30 kg), com dois metros de comprimento a mais que seu caiaque e amarre uma das extremidades da cinta entre os aros da roda traseira direita do veículo e faça uma marca no ponto exato ponto onde a amarração for finalizada. 

c) Acople um par de rodas com eixo (um carrinho simples) na extremidade da popa de seu caiaque e posicione o caiaque atrás do veículo, de modo que a extremidade da proa fique exatamente sobre o prolongamento da linha imaginária que divide o veículo em lado direito e lado esquerdo. Movimente lateralmente o bico de proa do caiaque até que ele possa ser apoiado no piso, ao lado da roda traseira esquerda do veículo. 


d) Amarre a outra extremidade da cinta (que já tem uma das extremidades presa à roda traseira direita do veículo) na alça de popa do caiaque, de
modo que fique bem tensionada, sem folga alguma. Faça uma marca no ponto exato em que a amarração da cinta na popa do caiaque for finalizada.
e) Eleve a proa de seu caiaque e a movimente no sentido do teto do veículo.
f) Apoie o bico de proa do caiaque nas duas extremidades do berço horizontal que está sobre o rack do veículo. 

g) Se dirija até a extremidade da popa de seu caiaque, eleve-a até a altura do berço sobre o rack.

h) Segurando a popa, empurre o caiaque (que deslizará sobre o berço), até que ele fique posicionado de modo a ter o peso bem distribuído nas hastes do berço. 
i) Segurando a popa, empurre o caiaque (que deslizará sobre o berço), até que ele fique posicionado de modo a ter o peso bem distribuído nas hastes do berço. 
 j) Realize a amarração básica ajustada. Amarrando as duas extremidades do caiaque.




 l) Na conclusão, se o veículo permitir, valerá ligar cada haste do rack a um para-choque do veículo.

m) Caso o caiaque ultrapasse o para-choque traseiro, para transitar durante o dia coloque uma sinalização (que poderá ser um pano na cor vermelha ou cor ácida) na extremidade do caiaque e, para transitar durante a noite, uma iluminação na cor vermelha.
n) Para retirar o caiaque do rack, bastará realizar o procedimento de forma inversa.


5 - Sugestão de configuração de rack para pick-up

Sobre a cabine da pick-up poderá ser utilizado um rack de uma ou de duas hastes e no final da carroceria um malhal (ou "Santo Antônio") traseiro (haste com as partes verticais bem alongadas) que não precisará ser fixo. O malhal traseiro poderá ser confeccionado com materiais (metalon, o mais simples deles, por exemplo) que apresentem resistência suficiente para suportar o peso do caiaque e de modo a ser encaixado na pick-up apenas nos momentos de transportar o caiaque.





Embora seja uma das formas usadas, por quem tem pick-up, será desaconselhável, transportar um caiaque com uma das extremidades apoiadas no fundo carroceria e a outra na cabine, pois isso fará com que a carga fique bem mais elevada (talvez até sendo necessário requerer uma AET), criando uma desintegração aerodinâmica. Essa desintegração influenciará no deslocamento do veículo que terá maior arrasto e, consequentemente, maior consumo de combustível, e ainda exporá o caiaque ao risco de abalroamento, tendo em vista a altura que a carga atingirá.


6 - Rack "de ventosa"


Quando um caiaqueiro que acaba de adquirir (ou está por adquirir) seu primeiro caiaque e se depara com a necessidade de transportar o novo “brinquedo”, o chamado “rack de ventosa” (pelo baixo preço, comparado aos de fixação convencional) se torna muito sedutor. No entanto, em termos de preservação da integridade do veículo, esse tipo de rack não é a melhor opção, embora seja funcional.

Muitos caiaqueiros fazem uso de rack com fixação por ventosas e, involuntariamente, acabam incentivando ainda mais essa utilização, mas o uso do rack de ventosa, para cargas que requeiram amarrações fortes e com peso superior a 20 kg (como um caiaque), não é o mais indicado, embora seja possível fazê-lo com relativa segurança, se alguns cuidados forem tomados.

As ventosas (de qualquer modelo de rack que as use) ficam apoiadas em partes do teto com menos resistência do que os convencionais e o passar do tempo (que vai depender da frequência de uso) gerará morsas inevitáveis. 
Vários caiaqueiros se dizem satisfeitos com seus racks de ventosa, mas uma olhada criteriosa na maioria dos tetos dos carros deles mostrará ondulações, evidenciando que o ideal é fazer uso de um rack de fixação convencional.

Quando a fixação de um rack de ventosa é realizada da forma adequada (a superfície do teto e o interior da ventosa estando livres de sujidade e da presença de poeira, gordura, oleosidade, etc...) não haverá o risco das ventosas se soltarem, desde que o veículo não seja envolvido em algum acidente de trânsito. 

Se for inevitável, fazer uso de um rack de ventosa, a amarração da carga vai requer cuidados, para não gerar ainda mais problemas para o teto do veículo, além dos que com o passar do tempo ocorrerão.

Grande parte dos caiaqueiros que utilizam os racks de ventosa, "por segurança", passam parte da amarração pelo interior do carro (com as portas abertas), envolvem o caiaque e somente depois a finalizam. Ilustrado abaixo pelas tiras de cor roxa.
Essa tal prática poderá ser extremamente danosa ao veículo, principalmente se forem utilizadas catracas para o tensionamento. Quando a amarração da carga é concluída com o tracionamento das voltas (de cabo, corda ou cinta) que passam por dentro do veículo, a carga é puxada de encontro ao rack que por sua vez passa a pressionar o teto, em pontos que pouco resistentes, tendendo a causar danos que poderão requerer reparos onerosos.
O ideal será que a amarração fixe a carga somente nas hastes do rack. Ilustrado abaixo pelas tiras de cor verde.
As tais amarrações de reforço que passem por dentro do carro, deverão ser ligadas apenas às hastes do rack. Ilustrado abaixo pelas tiras de cor azul.
Nessas amarrações de reforço que passam por dentro do veículo, não deverão ser utilizados cabos corda, tira ou fitas com espessura que venha a danificar as borrachas de vedação das portas, com espessura que não encaminhe água para o interior do veículo, em dias de chuva, e nem força de tração alguma, apenas a retirada de folgas.

Valerá também - para minimizar as consequências no caiaque, em caso de um acidente trânsito com o veículo, como já foi citados em item acima - ligar uma das hastes do rack ao para-choque dianteiro e a outra haste do rack ao para choque traseiro do veículo (ilustrado abaixo pelas tiras de cor marrom), se o veículo apresentar essas possibilidades.
E que  me desculpem aqueles com interesses comerciais na venda, mas quando alguém me pergunta se eu utilizo ou recomendo o uso de rack com ventosas, para transporte de caiaque, a minha resposta é  simplesmente “NÃO”!

Tudo o que você leu neste artigo tem apenas o objetivo de proporcionar mais percepção de risco ao caiaqueiro e, consequentemente, mais segurança a ele e aos que vão dividir ruas e estradas com ele. 








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